sexta-feira, 25 de junho de 2021

García Lorca e seu melhor livro: Poeta em Nova York

Um dos mais importantes poetas e dramaturgos espanhóis, Federico García Lorca escreveu os poemas do seu principal livro "Poeta em Nova York", marcados pelo surrealismo, durante temporada nos Estados Unidos e Cuba entre 1929 e 1930.

Deprimido e desiludido com o amor (sua relação com o escultor Emílio Aladrén havia acabado há pouco), ele se lança em um experimento estilístico que vai marcar a poesia espanhola.

Ele tinha um relacionamento muito próximo a Salvador Dalí, que o instigou e influenciou a se dedicar a novas formas de escrita.

Assista ao vídeo no Youtube:


Haverá em breve um segundo vídeo com mais informações sobre o livro e sobre os últimos anos do escritor.Poemas lidos são os seguintes: Volta de passeio, Igreja abandonada, Paisagem da multidão que urina, Cidade sem sonho, Panorama cego de Nova York

Os poemas foram retirados das três primeiras partes do livro. No segundo vídeo vou abordar as outras partes.


quarta-feira, 16 de junho de 2021

Sorteio de Livros de Poesia - Nº 2

 Sorteio de dois livros de poesia está acontecendo lá no Instagram.

Para participar, siga a conta @istopoesia, curta a foto oficial e marque um amigo nos comentários.

Pode participar quantas vezes quiser marcando amigos diferentes.

O sorteio será dia 30/06/21 ao final da tarde.



Livro do Fernando Pessoa e do Pablo Neruda, edições de bolso da L&PM editora.



domingo, 13 de junho de 2021

Poemas de Augusto dos Anjos

No vídeo do nosso canal que fizemos sobre Augusto dos Anjos e o seu livro Eu, há a leitura de oito poemas. Disponibilizamos esses poemas aqui: 

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia, análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

 

O deus-verme

Fator universal do transformismo.
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na miséria,
Verme - é o seu nome obscuro de batismo.

Jamais emprega o acérrimo exorcismo
Em sua diária ocupação funérea,
E vive em contubérnio com a bactéria,
Livre das roupas do antropomorfismo.

Almoça a podridão das drupas agras,
Janta hidrópicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão...

Ah! Para ele é que a carne podre fica,
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção!

 

A eterna mágoa

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda! 


Versos íntimos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

 

O poeta do hediondo

Sofro aceleradíssimas pancadas
No coração. Ataca-me a existência
A mortificadora coalescência
Das desgraças humanas congregadas!

Em alucinatórias cavalgadas,
Eu sinto, então, sondando-me a consciência
A ultra-inquisitorial clarividência
De todas as neuronas acordadas!

Quanto me dói no cérebro essa sonda!
Ah! Certamente eu sou a mais hedionda
Generalização do Desconforto...

Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto! 

 

Debaixo do tamarindo

No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
Dos inexorabilíssimos trabalhos!

Hoje, esta árvore de amplos agasalhos,
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da Flora Brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade
Minha sombra há de ficar aqui! 


Vozes da morte

Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, ainda teremos filhos!

 

Contrastes

 A antítese do novo e do obsoleto,
O Amor e a Paz, o ódio e a Carnificina,
O que o homem ama e o que o homem abomina,
Tudo convém para o homem ser completo!

O ângulo obtuso, pois, e o ângulo reto,
Uma feição humana e outra divina
São como a eximenina e a endimenina
Que servem ambas para o mesmo feto!

Eu sei tudo isto mais do que o Eclesiastes!
Por justaposição destes contrastes,
Junta-se um hemisfério a outro hemisfério,
Às alegrias juntam-se as tristezas,
E o carpinteiro que fabrica as mesas
Faz também os caixões do cemitério!...

 

A árvore da serra

- As árvores, meu filho, não tem alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma!...

- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra! 


sexta-feira, 11 de junho de 2021

Augusto dos Anjos e o livro Eu - Vídeo novo no canal

O novo vídeo no canal Isto Poesia é sobre Augusto dos Anjos e seu livro Eu, lançado em 1912, com as edições a partir de 1919 se chamando Eu & Outras Poesias.

Assista completo abaixo:


Para quem quiser acesso ao material referido no vídeo, seguem os links:

Artigo "O lugar de Augusto dos Anjos na poesia brasileira", de Nara Marley Aléssio Rubert (clique para baixar)

O livro em PDF "Eu e outras poesias"

Para Kindle temos por R$ 1,99 o livro "Obra Poética Completa: 'Eu e outras poesias' e a obra imatura"


No vídeo há a leitura dos seguintes poemas:

Psicologia de um vencido, O deus-verme, A eterna mágoa, Versos íntimos, Debaixo do tamarindo, Vozes da morte, Contrastes e A árvore da serra. Para acessar apenas esses poemas, clique aqui.

 

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- Resumo do artigo da professora Nara Marley:

É uma análise sobre a controversa classificação do poeta Augusto dos Anjos que oscila entre o Simbolismo, Parnasianismo, Romantismo, Cientificismo, Modernismo e até mesmo Surrealismo, a partir de aspectos de sua poesia que apontam para as diversas tentativas de enquadramento de sua obra. Acrescenta-se ainda que sua carreira de professor e escritor, bem como a publicação de sua única obra, “Eu”, se deu no período chamado Pré-Modernismo, no início do século passado. A partir disso, avaliam-se alguns traços da sua época, da estética literária de seu tempo e a maneira como isso se mostra ou não em seus poemas. Há aspectos insistentes na obra de Augusto dos Anjos que indicam uma direção para sua leitura: a obsessão pela decomposição, o “irrealizado”, a combinação de expressões eruditas com expressões ditas de mau-gosto e, muito especialmente, a morte.



sexta-feira, 4 de junho de 2021

Vídeo: I-Juca-Pirama, o épico brasileiro

 Estreia do primeiro vídeo no canal!

O tema deste vídeo é o poema épico I-Juca-Pirama, do Gonçalves Dias. Publicado em 1851 é um dos melhores trabalhos do Romantismo brasileiro e tem alguns dos mais marcantes versos de toda a poesia do país. Assista:


Aqui seguem os links para download. A obra de Gonçalves Dias está em domínio público.

I-Juca-Pirama: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000007.pdf

Clique para abrir: Versão digitalizada de livro de 2003 da editora Ática com explicações sobre palavras e expressões. 

 "Tu choraste em presença da morte?
    Na presença de estranhos choraste?
    Não descende o cobarde do forte;
    Pois choraste, meu filho não és!"

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